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Penamacor: “Peixes Invasores na Albufeira do Meimão” debateu gestão das espécies invasoras

Penamacor: “Peixes Invasores na Albufeira do Meimão” debateu gestão das espécies invasoras
A Zona Balnear do Meimão recebeu, esta segunda-feira, 7 de setembro, a iniciativa “Peixes Invasores na Albufeira do Meimão”, dedicada à problemática das espécies exóticas invasoras e aos impactos que representam para os ecossistemas aquáticos.

A sessão contou com a participação de Pedro Silveiro, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Penamacor, Filipe Ribeiro, Coordenador do projeto LIFE PREDATOR, Maria Teresa Álvares, Administradora Regional da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Tejo, Jacinto Diamantino, em representação do ICNF, Paulo Fazenda, do SEPNA da GNR, e Leonel Barata, da Conserveira do Interior.

Os trabalhos tiveram início com a apresentação do estudo “Quatro anos de estudos sobre os peixes invasores da Albufeira. E agora, o que fazer?”, por Filipe Ribeiro. O trabalho tem vindo a ser desenvolvido há cerca de quatro anos na Albufeira do Meimão, no âmbito do projeto LIFE PREDATOR.

Financiado pela União Europeia através do Programa LIFE e com duração prevista entre 2022 e 2027, o projeto tem como principal objetivo prevenir, detetar e combater a propagação do siluro (Silurus glanis), também conhecido como peixe-gato-europeu, nos ecossistemas aquáticos do sul da Europa, com especial incidência em Portugal e Itália.

Durante o estudo foram realizados inquéritos a cerca de 400 pescadores lúdico-desportivos. Os resultados mostram que a maioria não considera o siluro uma espécie benéfica para a pesca, embora exista uma pequena minoria que lhe reconheça importância. Cerca de 45% dos inquiridos admitiu devolver os exemplares capturados à água, apesar de esta prática não ser permitida pela legislação.

Filipe Ribeiro destacou a necessidade de reforçar o trabalho de sensibilização junto da população, nomeadamente através de ações dirigidas à comunidade escolar. O coordenador do projeto defendeu também a importância de procurar formas de valorização gastronómica da espécie.

Um dos dados que mais preocupa os especialistas é a elevada presença de espécies exóticas na albufeira. De acordo com o estudo, 85% dos peixes capturados na Albufeira do Meimão correspondiam a espécies exóticas ou exóticas invasoras, valor que chega aos 98% noutras áreas protegidas.

Segundo Filipe Ribeiro, a erradicação do siluro é impossível, sendo por isso essencial apostar no seu controlo e na redução dos impactos provocados pela espécie.

O siluro é considerado o maior peixe de água doce da Europa e apresenta um comportamento predatório extremamente voraz. Em ecossistemas como o rio Tejo, não possui predadores naturais, podendo crescer rapidamente e representar uma ameaça significativa para a biodiversidade nativa, incluindo espécies como o barbo, a enguia e o sável.

O LIFE PREDATOR envolve cientistas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e centros de investigação como o MARE e o cE3c, reunindo várias entidades nacionais e internacionais na procura de respostas para a expansão das espécies invasoras nos ecossistemas aquáticos.
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