A Câmara Municipal de Castelo Branco vai cancelar a maioria dos eventos previstos para 2026, canalizando as verbas para a reconstrução do concelho, na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin. A decisão foi anunciada pelo presidente da autarquia, Leopoldo Rodrigues, após reunião com os presidentes de junta de freguesia.
Segundo o autarca, mantêm-se apenas quatro iniciativas ao longo do ano: o Desfile de Moda, a feira Sabores de Perdição, o “Patas e Patudos”, o Mercadinho de Natal e a Passagem de Ano. Todos os restantes eventos, incluindo a Feira do Vinho e da Vinha (Salgueiro do Campo), o Portugal Cheese Festival (Alcains), o Carnaval, o Mercadinho da Páscoa, entre outros, serão suspensos.
“O dinheiro que habitualmente é investido na realização destes eventos será afeto à reconstrução do concelho”, afirmou Leopoldo Rodrigues, especificando que as verbas serão aplicadas na reparação de caminhos, estradas e equipamentos danificados.
Feira dos Sabores será “prata da casa”
A Feira Sabores de Perdição, um dos eventos que se mantém, terá um formato diferente. De acordo com o presidente da Câmara, será dinamizada exclusivamente com artistas locais e contará com forte envolvimento das juntas de freguesia, associações e entidades culturais do concelho, sem contratação de artistas nacionais ou internacionais.
“Não são decisões fáceis”, reconheceu o autarca, sublinhando a concordância dos presidentes de junta com a medida e o entendimento comum quanto à prioridade da reconstrução.
Apesar dos cortes na programação cultural, a Câmara acordou com as juntas de freguesia a atribuição de um apoio simbólico para iniciativas de caráter religioso, reconhecendo a importância do património e das festividades religiosas na dinamização local.
Três semanas depois, continuam reparações
Três semanas após a tempestade, Leopoldo Rodrigues garante que as situações mais críticas estão resolvidas, mas admite que “há muita reparação a fazer”. Entre os casos mais graves está a situação em Malpica do Tejo, onde um troço rodoviário permanece encerrado por razões de segurança.
A autarquia já dispõe de uma estimativa de custos e irá avançar com um procedimento para a reparação urgente da via, embora sem previsão para a reabertura total. Foram identificados caminhos alternativos para garantir a circulação.
Ao nível da reposição de energia, o presidente considera que a situação está “praticamente concluída”, admitindo apenas ocorrências pontuais nos próximos dias. Deixou ainda uma palavra de reconhecimento às juntas de freguesia e à empresa E-Redes, destacando a articulação permanente para resolver os constrangimentos.
Persistem, no entanto, problemas nas comunicações, nomeadamente em São Vicente da Beira, onde a autarquia prevê instalar temporariamente um sistema Starlink, atualmente colocado em Malpica do Tejo, para garantir comunicações básicas.
Levantamento de prejuízos e ativação de seguros
O município está a apoiar os munícipes no registo de danos provocados pela tempestade, tanto nas freguesias como nos serviços municipais, procedendo também ao levantamento global dos prejuízos para reporte à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), com vista a eventual ressarcimento.
Paralelamente, a Câmara está a acionar os seguros de responsabilidade civil e outros aplicáveis, seguindo as recomendações do Governo e da CCDR.
Leopoldo Rodrigues apelou ainda à correta instrução dos processos de apoio, alertando para a necessidade de apresentação de fotografias, faturas, evidências e declarações de não dívida à Autoridade Tributária e à Segurança Social, documento que, embora não conste da checklist inicial, será exigido para efeitos de pagamento.
Apelo à comunidade: “Adotar uma árvore”
A tempestade provocou ainda a queda de um número significativo de árvores, algumas com várias décadas. Neste contexto, o presidente da Câmara lançou um apelo à comunidade para a adoção simbólica de árvores, promovendo o envolvimento da população na recuperação do espaço público.
“Somos todos comunidade e todos podemos dar o nosso contributo para melhorar a vida no concelho”, afirmou, defendendo que a participação ativa reforça o sentido de pertença e valorização do património comum.
O autarca garantiu que, em 2027, o município pretende retomar a dinâmica habitual de eventos, mas sublinhou que, neste momento, a prioridade absoluta é a recuperação dos danos causados pela tempestade Kristin.

