Bordado de Castelo Branco mantém-se como símbolo maior da identidade local

Bordado de Castelo Branco mantém-se como símbolo maior da identidade local

O Bordado de Castelo Branco afirma-se como uma das expressões culturais mais relevantes da Beira Baixa e um dos elementos que melhor traduzem a identidade da cidade. Distinguido pelos seus motivos simbólicos e pelo uso de seda sobre linho cru, ocupa um lugar próprio no panorama dos bordados portugueses.

Os seus padrões são construídos a partir de elementos recorrentes, como a Árvore da Vida, aves, flores e frutos, que vão além da função decorativa. Cada motivo transporta significados ligados à natureza, à fertilidade ou à espiritualidade. Ainda que partam de referências naturalistas, não seguem uma lógica de representação rigorosa, refletindo antes a interpretação acumulada das bordadeiras ao longo de gerações.

O desenvolvimento desta arte está diretamente ligado às características da região. A cultura do linho e a criação do bicho-da-seda criaram condições favoráveis à sua afirmação, que terá atingido maior expressão no século XVIII.

Depois de um período de menor atividade no século XIX, o bordado ganhou novo impulso no início do século XX, em grande parte devido ao trabalho de Maria da Piedade Mendes. A recuperação de colchas antigas permitiu reintroduzir modelos e técnicas, assegurando a continuidade desta tradição.

A partir de 1929, a designação “bordados de Castelo Branco” passou a ser utilizada de forma sistemática, reforçando a sua identificação com o território.

A natureza mantém-se como principal referência temática. Elementos como o cravo, a tulipa ou a romã surgem com frequência, associados a ideias de resistência, abundância ou prestígio. Entre os motivos mais marcantes destaca-se a Árvore da Vida, frequentemente ligada à continuidade e renovação, por vezes acompanhada por figuras humanas ou aves, o que amplia a sua leitura simbólica.

São também visíveis influências orientais, particularmente em alguns elementos decorativos e na presença da águia bicéfala, um motivo que surge em diferentes contextos artísticos e simbólicos.

Com o tempo, o Bordado de Castelo Branco deixou de estar limitado ao suporte têxtil e passou a integrar o espaço urbano. Os seus padrões foram adaptados à calçada portuguesa e podem hoje ser encontrados em várias zonas da cidade, bem como em fachadas e outros elementos arquitetónicos.

Apesar da exigência técnica e do tempo necessário à sua execução, esta tradição mantém-se ativa. As colchas continuam a ser as peças mais emblemáticas, reconhecidas pela complexidade e pelo detalhe.

O Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco tem desempenhado um papel importante na sua valorização e continuidade. Para além da vertente expositiva, inclui uma oficina-escola dedicada à transmissão de técnicas e conhecimentos.

Nos últimos anos, o bordado tem sido também reinterpretado em áreas como o design, a moda e a numismática. Estas abordagens têm contribuído para a sua atualização, mantendo a ligação à tradição.