Seis meses após assumir a presidência da Câmara Municipal de Vila de Rei, Paulo César Luís faz um balanço de um início de mandato marcado por desafios inesperados. Entre duas intempéries que causaram elevados prejuízos no concelho e a necessidade de resposta imediata às populações, o autarca destaca a resiliência da comunidade, as medidas de apoio implementadas e as prioridades para o futuro.
Que balanço faz destes primeiros seis meses de mandato à frente do município?
Fazer um balanço destes primeiros seis meses de mandato implica reconhecer que foram meses absolutamente atípicos e de enorme exigência para o concelho de Vila de Rei. O território foi confrontado com duas intempéries de grande dimensão, a depressão Cláudia e, posteriormente, a tempestade Kristin, que provocaram danos muito significativos e marcaram profundamente a nossa comunidade.
A depressão Cláudia já tinha colocado à prova a nossa capacidade de resposta. Felizmente, a experiência adquirida em episódios anteriores, como a tempestade Elsa, permitiu-nos agir com maior preparação e mitigar alguns dos impactos.
Contudo, a tempestade Kristin representou um desafio de outra escala. O nível de destruição registado no território não tem comparação com aquilo que o concelho viveu nas últimas décadas. Foi um momento extremamente difícil, que exigiu uma resposta rápida, coordenada e determinada para proteger a população, restabelecer acessos e iniciar o processo de recuperação.
Apesar da dureza destes acontecimentos, também ficou evidente a enorme capacidade de trabalho, solidariedade e resiliência das nossas equipas, de todos os parceiros e da comunidade Vilarregense.
Estes primeiros seis meses foram, por isso, meses de grande intensidade, mas também de afirmação da nossa identidade e de mobilização coletiva. Hoje, o nosso foco está totalmente orientado para recuperar o território, apoiar as pessoas e reconstruir Vila de Rei com ainda mais determinação.
Porque se existe algo que estes acontecimentos nos demonstraram é que, perante a adversidade, Vila de Rei não baixa os braços.
Que dificuldades ou desafios encontrou neste início de funções?
O início destas funções foi particularmente desafiante, marcado pelas duas intempéries que afetaram severamente o território de Vila de Rei.
Em novembro de 2025, a depressão Cláudia provocou estragos significativos no concelho, com prejuízos superiores a 500 mil euros. Foram registados danos em diversos espaços públicos, nomeadamente nas praias fluviais do Penedo Furado e do Bostelim, bem como derrocadas, quedas de árvores e muros, infiltrações em edifícios, danos em estradas, pontes e valetas, destruição de linhas de água e dificuldades de acesso a estradões florestais.
Quando estávamos ainda a recuperar desta situação, no dia 28 de janeiro de 2026 o concelho voltou a ser fortemente atingido pela tempestade Kristin, o que motivou a declaração do estado de calamidade. Os danos registados foram muito significativos, afetando equipamentos municipais, vias de comunicação, espaços verdes e diversas infraestruturas públicas e privadas, com impactos sociais e económicos relevantes na população.
A estimativa de prejuízos ronda os 5,5 milhões de euros no que respeita a equipamentos e infraestruturas municipais, vias, coletividades, IPSS, entidades religiosas e património cultural, sendo que os danos relativos a privados ascendem a 1 milhão de euros, sendo estes dados obtidos através do reporte e inventariação de prejuízos na plataforma da CCDR.
Estes primeiros seis meses foram, acima de tudo, um período de enorme exigência e aprendizagem. Perante fenómenos meteorológicos extremos e imprevisíveis, o mais importante foi garantir uma resposta rápida, proteger a população e apoiar quem mais precisava. Ninguém estava preparado para viver algo desta dimensão.
Mas se algo ficou claro neste processo foi também a enorme capacidade de união, solidariedade e resiliência da nossa comunidade. Vila de Rei demonstrou, uma vez mais, que mesmo perante as adversidades mais difíceis, sabemos unir esforços e levantar-nos mais fortes.
Quais foram as prioridades definidas no início do mandato e em que ponto se encontram atualmente?
No início do mandato, a nossa prioridade foi dar continuidade ao trabalho que vinha a ser desenvolvido, honrando o legado que nos foi deixado, mas também olhando para o futuro e para o caminho que queremos construir para Vila de Rei, sempre com o foco no bem-estar da população Vilarregense.
A fixação de pessoas no território e a garantia de boas condições de vida para quem aqui vive continuam a ser o verdadeiro eixo da nossa atuação. Queremos um concelho cada vez mais atrativo para viver, trabalhar e criar família.
Contudo, os acontecimentos que marcaram o início deste mandato obrigaram-nos a redefinir prioridades no imediato. Perante os efeitos das intempéries que atingiram o concelho, a nossa principal preocupação foi garantir a segurança da população, assegurar respostas rápidas às situações de maior vulnerabilidade e apoiar a recuperação do território.
Nesse sentido, foi implementado um pacote de apoios direcionado a diferentes setores da comunidade, famílias, associações, instituições sociais e atividade económica local, que totalizou cerca de 100 mil euros.
Paralelamente, estamos também atentos aos desafios que se aproximam, com a chegada do verão, nomeadamente a preparação do território para possíveis incêndios florestais.
A prioridade passa por restabelecer plenamente a normalidade no concelho e retomar o caminho de desenvolvimento que tínhamos traçado.
Há algum projeto que destaque como particularmente emblemático neste período?
Tendo em conta todas as circunstâncias que o concelho viveu nos últimos meses, o executivo municipal tomou a decisão de cancelar um conjunto de eventos da programação cultural, concentrando esforços na resposta à emergência e na recuperação do território.
Mais do que um projeto isolado, o grande objetivo destes meses tem sido a recuperação do concelho.
Destaca-se a implementação de refeições gratuitas para alunos do 2.º ciclo ao ensino secundário e a modernização do sistema de abastecimento de água, com uma poupança energética significativa.
Um momento simbólico será a Feira de Enchidos, Queijo e Mel, entre 25 de julho e 2 de agosto.
Que áreas exigiram maior intervenção por parte do executivo?
As áreas que exigiram maior intervenção foram, sem dúvida, a Proteção Civil e a Ação Social.
Durante este período, toda a comunidade esteve envolvida na resposta, demonstrando união e resiliência.
Como tem sido a relação com a população nestes primeiros meses?
A relação com a população tem sido marcada pela proximidade. Existe total disponibilidade para ouvir, dialogar e encontrar soluções em conjunto.
Que iniciativas têm sido desenvolvidas para promover o desenvolvimento económico local?
Têm sido implementadas várias medidas para dinamizar a economia local, incluindo apoio ao comércio, incentivo ao empreendedorismo e criação de condições para novas empresas.
Como tem sido trabalhada a atração de investimento e a fixação de população?
A estratégia passa pela melhoria das infraestruturas, dos serviços e das condições de vida, fundamentais para atrair investimento e fixar população.
Que papel têm tido a cultura, o desporto e o turismo na estratégia do município?
Estas áreas assumem um papel central no desenvolvimento do concelho, contribuindo para a qualidade de vida e para a valorização do território.
Que projetos estão previstos e que impacto terão no concelho?
Destacam-se projetos como os Passadiços dos Poios, a requalificação das praias fluviais e melhorias em equipamentos municipais.
Que mensagem deixa aos munícipes nesta fase do mandato?
Apesar das dificuldades, mantém-se o compromisso com o desenvolvimento do concelho e a melhoria da qualidade de vida da população.
Fica uma palavra de agradecimento a todos pela resiliência e contributo para uma comunidade mais forte.
Com todos. Por todos.

