Quercus e população da Lardosa alertam para impactos na saúde pública

Quercus e população da Lardosa alertam para impactos na saúde pública

A associação ambiental Quercus voltou a chamar a atenção para uma situação que considera preocupante na freguesia da Lardosa, no concelho de Castelo Branco, relacionada com a utilização intensiva de produtos fitofarmacêuticos junto a zonas habitacionais, alertando para possíveis impactos na saúde das populações.

Apesar das queixas dos moradores, importa referir que a atividade desenvolvida pelo proprietário das explorações agrícolas está enquadrada na legislação em vigor, sendo, à luz da lei, considerada legal. Ainda assim, a Quercus e os residentes defendem que a legalidade não invalida os riscos e os efeitos sentidos no dia a dia.

De acordo com a organização, que se deslocou ao local em novembro de 2024 após uma denúncia, os habitantes do Vale Merendeiro relatam a aplicação frequente de produtos, inclusive ao fim de semana e em dias de vento, o que facilita a sua dispersão para zonas habitadas. Os moradores referem ainda a presença de resíduos em superfícies, cheiros intensos e ruído provocado por equipamentos agrícolas, fatores que dizem afetar o seu bem-estar.

O AlbiNoticias falou com Carlos Dâmaso, um dos moradores, que garante que “a situação está a afetar a saúde dos habitantes da Lardosa”, apontando para sintomas como ansiedade, agravamento de problemas de saúde e impossibilidade de usufruir das próprias habitações em segurança.

Na tentativa de ouvir o outro lado, o proprietário referido, Francisco Chasqueira, foi contactado, mas não quis prestar quaisquer esclarecimentos.

A Quercus enquadra esta situação no âmbito do artigo 66.º da Constituição da República Portuguesa, que consagra o direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado, defendendo que a proteção da saúde e da qualidade de vida das populações deve ser assegurada.

A associação já levou o tema à Assembleia Municipal de Castelo Branco e defende a criação de um grupo de trabalho para avaliar a situação, garantir o cumprimento da legislação e encontrar soluções que conciliem a atividade agrícola com a salvaguarda da saúde pública.