Palestra sobre a Ordem dos Templários em Escalos de Cima

Palestra sobre a Ordem dos Templários em Escalos de Cima

A Associação SQUALIUS, a Cooperativa Pinacoteca e a Associação Raia Gerações promoveram uma palestra subordinada ao tema “A Ordem dos Templários – Escalos de Cima Terra Templária”, realizada no edifício da Associação SQUALIUS, com o apoio da Junta de Freguesia de Escalos de Cima.

A sessão contou com a participação dos professores, investigadores e historiadores Hermínio Esteves e André Gonçalves, enquanto oradores convidados. A mesa foi ainda composta pelo presidente da Junta de Freguesia de Escalos de Cima, Alexandre Pereira, pelo presidente da Associação SQUALIUS, Miguel Rijo, pelo presidente da Cooperativa Pinacoteca, José Barata de Castilho, pelo presidente da Associação Raia Gerações, Carlos Branco Gomes, e pelo responsável cultural da Cooperativa Pinacoteca e da Associação Raia Gerações, Luís Duque-Vieira.

Durante a sua intervenção, André Gonçalves apresentou um enquadramento histórico sobre a Ordem dos Templários, desde a expansão islâmica no Mediterrâneo e na Península Ibérica, a partir dos séculos VII e VIII, até ao surgimento da Ordem no contexto das Cruzadas. Destacou a fundação da Ordem em 1118 por Hugues de Payens e outros cavaleiros, o seu reconhecimento oficial em 1128 pelo Papa Honório II, no Concílio de Troyes, e o seu crescimento rápido e influência ao longo dos séculos seguintes.

Foram ainda abordados momentos marcantes, como o aumento do poder e riqueza da Ordem, o conflito com o rei Filipe IV de França, a perseguição iniciada em 1307 — incluindo a prisão do Grão-Mestre Jacques de Molay — e a extinção formal da Ordem em 1312. Em Portugal, destacou-se a continuidade dos Templários através da criação da Ordem de Cristo, em 1319, por iniciativa de D. Dinis.

A apresentação incluiu também a exibição de diapositivos com castelos templários e símbolos existentes em Escalos de Cima, bem como referências ao tributo histórico aos Templários em várias localidades da região, como Escalos de Cima e de Baixo, Lousa, Mata, Caféde, Lardosa e Alcains.

Por sua vez, Hermínio Esteves abordou a dualidade entre as narrativas lendárias e os estudos históricos sobre a Ordem dos Templários, destacando a importância de fontes fidedignas. Referiu o papel de São Bernardo de Claraval, monge cisterciense e mentor da primeira regra da Ordem, que defendia os princípios de pobreza, castidade e obediência, em contraste com o posterior crescimento material da instituição.

O historiador sublinhou ainda a ligação entre o surgimento da Ordem dos Templários e a formação do Reino de Portugal, ambos associados a figuras oriundas do Ducado da Borgonha. Destacou também o papel dos Templários no apoio à consolidação do território português, desde o Condado Portucalense, com a sua presença em locais como Fonte da Arcada e Soure, e a sua participação na expansão do reino.

No atual concelho e distrito de Castelo Branco, foram identificados diversos vestígios da presença templária, incluindo castelos, comendas e outros espaços. Neste contexto, foi salientado que Escalos de Cima constituiu uma importante comenda da Ordem dos Templários, reforçando o seu valor histórico e patrimonial.