Nos arredores de Castelo Branco, longe do movimento da cidade, encontra-se a Ermida de Nossa Senhora de Mércoles, um dos espaços religiosos mais antigos e discretos do concelho. É um lugar simples, marcado pelo tempo, mas carregado de história.
Não se sabe ao certo quem mandou construir a ermida. A tradição local aponta para os freires da Ordem do Templo, o que liga este espaço à presença templária na região e às origens medievais do território albicastrense.
Do exterior destacam-se o portal principal e dois portais laterais de arco ogival, sinais claros da sua antiguidade. No interior, a ermida surpreende pela qualidade dos azulejos, possivelmente de influência hispano-árabe, e pelos vestígios de frescos que ainda resistem nas paredes. O edifício é composto por uma única nave e uma capela absidal, mantendo uma estrutura simples e funcional.
Ao longo dos séculos, a ermida foi sofrendo intervenções nos séculos XVII, XVIII e XIX, que permitiram a sua conservação e uso continuado, sem apagar por completo os traços mais antigos.
Atualmente, a visita à Ermida de Nossa Senhora de Mércoles é possível, embora dependa de marcação prévia junto dos guardas do recinto. Essa limitação ajuda a preservar um espaço frágil, mas que continua a fazer parte da memória coletiva da cidade.
Na rubrica Raízes da Terra, a Ermida de Mércoles lembra que nem todo o património se impõe pela grandeza. Há lugares que resistem pela simplicidade, pelo silêncio e pela ligação profunda ao território onde nasceram.

